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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Promessa de lucro virou dor de cabeça

Rita Conrado l A TARDEMarco Aurélio Martins/Agência A TARDE

Público cada vez menor nas ruas do Centro Antigo desanima comerciantes. Dívida é outro impasse
Público cada vez menor nas ruas do Centro Antigo desanima comerciantes. Dívida é outro impasse












Série 5/7 - Área de importância histórica, cultural e econômica significativa, o Centro Antigo de Salvador convive com os acertos e desafios para a sua administração, tema desta série de reportagens

A constatação de que o belo e festejado conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Salvador – patrimônio da humanidade reconhecido pela Unesco desde 1985 – não tem feito retornar turistas brasileiros e estrangeiros ou atraído novos visitantes tira o sono de gestores públicos e comerciantes da área. Pelas ruas seculares, é visível a falta de estrutura para receber os que vêm à cidade: lixo, pedintes, dificuldade de acesso e ausência de atrativos. A retomada da pujança daquele que é a maior referência histórica da Bahia é desafio dos governantes e ideal de investidores que ainda enxergam boas oportunidades de negócios na área.

Em meio a interesses diversos – individuais ou de grupos –, é consenso entre todos os envolvidos na busca pela revitalização do local que falta vida à área. No sentido literal da palavra. No projeto governamental de recuperação do Centro Histórico de Salvador (CHS) concebido em 1990, o Terreiro de Jesus e o Largo do Pelourinho funcionariam como um shopping center ao ar livre. Os moradores foram deslocados para áreas periféricas do bairro e da cidade.

“Com a saída da população residente, perdeu-se muito da historicidade, da cultura local, a vida pulsante”, avalia Lúcia Maria de Aquino Queiroz, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que enumera outros fatores que, na sua avaliação, contribuíram para o esvaziamento do Pelourinho.

“Os incentivos dados para que os empreendimentos fossem para lá criaram nos empresários a ideia de que não teriam de arcar com o custo de estar no espaço histórico”, lembra Lúcia Aquino.

Dívidas - As dívidas acumuladas pelos comerciantes e locatários de imóveis administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) no Centro Histórico de Salvador – apenas 7,8% de um total de cerca de três mil – comprovam a afirmação de Lúcia Maria Aquino.

Em dados de junho de 2010, nos 235 imóveis sob seu gerenciamento, o Ipac contabilizou dívidas de R$ 7,7 milhões em aluguéis, que correspondem, de modo geral, a 60% do valor de mercado.

Mesmo assim, um projeto de repactuação das dívidas e anistia da correção monetária e juros foi proposto pelo Ipac e já encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Se aprovado, haverá redução de R$ 3 milhões do débito existente.

“A ideia é oxigenar as finanças do empresariado, para que assumam os custos do seu negócio”, justificou o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça.

O secretário da Cultura do Estado, Márcio Meirelles, discorda da medida. “O vício é na origem. O empresário não investe no negócio que tem no Pelourinho, pois espera as benesses do governo”, assinalou o secretário.

“No entanto, faz pesados investimentos em negócios que possui em outras áreas da cidade. Anistiar é fortalecer essa prática”, avalia Meirelles, que condena o descompromisso dos empresários com o Centro Histórico.

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